Relatos e reflexões

Memória, acolhimento e consciência sobre a adicção.

Textos testemunhais e reflexões autorais preservados com cuidado editorial, linguagem humana e responsabilidade institucional.

Reflexão

Bem-vindos ao CRETA

O CRETA vem desde 1996 recuperando vidas perdidas para as drogas e o álcool, com foco no poder superior, de maneira eclética e ecumênica, respeitando a forma como cada residente compreende esse poder.

Reflexão autoral

Adicção: mitos e verdades

Texto/reflexão de Clovis Mariano da Costa, elaborado a partir de estudo, vivência pessoal e experiência no contexto do CRETA. Para publicação institucional, o conteúdo deve ser apresentado como reflexão educativa e testemunhal, sem substituir avaliação médica, psicológica ou terapêutica individualizada.

Testemunho autoral

Era só maconha

Relato de Clovis Mariano da Costa sobre dependência, recaída, perdas, tratamento e reconstrução de vida, preservado como testemunho humano e educativo.

Testemunho

Era só maconha

Texto/testemunho de Clovis Mariano da Costa. Revisão editorial preparada para o site do CRETA, preservando o sentido original do relato e dando maior clareza, acolhimento e responsabilidade à mensagem.

Meu nome é Clovis Mariano da Costa.

Conheci o CRETA e busquei internação em 15 de agosto de 2023.

A adicção me acompanha desde a adolescência. Aos 46 anos, depois de já ter conseguido permanecer limpo por dez anos, vivi uma recaída profunda. Foi uma queda que me atravessou por inteiro. Perdi minha esposa, vi meu núcleo familiar ser destruído e cheguei a um ponto em que já não havia como negar: eu precisava de ajuda.

O que costuma espantar muitas pessoas quando conhecem a minha história é o fato de a minha droga de preferência ter sido a maconha. Não foi necessário que a dependência se deslocasse para outra substância para que a destruição acontecesse. No meu caso, a maconha bastou para abrir caminhos de sofrimento, isolamento, desorganização emocional e perdas reais.

Durante a recaída, eu pude sentir a morte se aproximar. Não digo isso como frase de efeito. Digo como alguém que viu a própria vida escapar das mãos, aos poucos, enquanto ainda tentava convencer a si mesmo de que era “só maconha”.

Hoje compreendo que essa expressão pode esconder um perigo silencioso. Para algumas pessoas, o uso frequente da maconha pode parecer socialmente mais aceitável, menos ameaçador ou menos destrutivo do que outras drogas. Mas a minha história me ensinou que nenhuma dependência deve ser tratada com desprezo. Quando uma substância passa a ocupar o centro da vida, ela cobra caro: cobra vínculos, saúde, paz, responsabilidade e futuro.

Também carrego marcas psíquicas importantes e recebi diagnóstico relacionado ao campo esquizoafetivo. Por isso, meu testemunho não pretende servir como regra geral para todas as pessoas, nem substituir orientação médica, psicológica ou terapêutica. Ele é uma experiência vivida. É a voz de alguém que caiu, pediu ajuda, foi acolhido e precisou reconstruir a própria caminhada com humildade.

No CRETA, encontrei tempo, disciplina, convivência, espiritualidade, rotina e a possibilidade de recomeçar. Permaneci em tratamento por mais de dois anos. Esse período não apagou a minha história, mas me ajudou a olhá-la de frente, com mais consciência, responsabilidade e gratidão.

Se este relato alcançar alguém que ainda pensa “é só maconha”, deixo uma pergunta simples: se é só isso, por que está custando tanto?

Buscar ajuda não é derrota. É o primeiro gesto de uma vida que ainda quer viver.

Aviso editorial

Os relatos publicados nesta página têm caráter testemunhal, educativo e reflexivo. Eles não substituem avaliação médica, psicológica, social, terapêutica ou jurídica individualizada. Em situações de sofrimento, dependência ou crise, procure ajuda profissional e entre em contato com a equipe responsável pelo acolhimento.